Composição
VERSO 1
Roberto chegou contando baixo na cozinha “Como pode o Marcinho viver nessa agonia? Novecentos e cinco entram, somem ligeiro Num dia vai tudo embora, nem sobra pro mês inteiro”
PRÉ-REFRÃO
Eu pensei que ele ganhava dois mil e duzentos Mas a conta apertou mais que os próprios sentimentos E a vovó Euvira, esperando na varanda Ficou sem um tostão e com a sacola na mão parada
REFRÃO
Ô Marcinho, dinheiro não é vento na janela Quando falta dentro de casa, toda escolha deixa marca nela Roberto viu, Wilson viu, ninguém conseguiu fingir Quem não cuida da família perde o direito de sorrir Ô Marcinho, não é bronca, é dor no coração Vovó Euvira precisava mais que uma explicação
VERSO 2
Roberto falou: “Eu acredito que ele ganha pouco” Mas gastar tudo num dia deixou o povo louco Tem boleto sobre a mesa, remédio no armário E promessa repetida não paga supermercado
PRÉ-REFRÃO
Wilson cruzou os braços, olhando pro terreiro Disse: “Dinheiro mal cuidado vira assunto o ano inteiro” E Euvira, tão quietinha, ajeitou o seu vestido Guardou a decepção junto com o pedido
REFRÃO
Ô Marcinho, dinheiro não é vento na janela Quando falta dentro de casa, toda escolha deixa marca nela Roberto viu, Wilson viu, ninguém conseguiu fingir Quem não cuida da família perde o direito de sorrir Ô Marcinho, não é bronca, é dor no coração Vovó Euvira precisava mais que uma explicação
PONTE
Se sobrou pouco, divide pouco, mas divide com verdade Um prato simples vale mais que tanta vaidade Ainda dá tempo de voltar, bater palma no portão Levar respeito pra vovó, não somente uma desculpa na mão
REFRÃO FINAL
Ô Marcinho, dinheiro não é vento na janela Quando falta dentro de casa, toda escolha deixa marca nela Roberto viu, Wilson viu, agora é hora de assumir Que família não se compra quando o orgulho quer mandar fugir Ô Marcinho, deixa a vida ensinar Vovó Euvira merece cuidado antes do mês acabar
FINAL
Roberto falou baixinho, olhando o chão do corredor: “Quem ganha pouco pode ter pouco, mas nunca pode faltar amor”