Letra
[Intro]
[low vocal register]
Ano era 94
Começava a minha luta
Deus sabe
Quem tava lá, tá ligado
[Verse 1]
Ano era 94, rua quente, sol na cara
Muleque de 14, mente velha, pé na estrada
Casa em casa, porta em porta, folheto na mão
Suor escorrendo na testa, fome presa no colchão
"Skate, mãe?" — olho brilhou, sonho na calçada
Dona Iracy respondeu reta, voz pesada:
"Vai trabalhar pra ter as coisas, você já tem 14"
Ali eu virei homem, calejei peito e butina forte
Fui fazer meu corre, sem discurso, só ação
Enquanto os mano jogavam bola, eu somava o tostão
Aprendi que vontade vale mais que condição
Na mochila, esperança; na cabeça, obrigação
[Chorus]
Era 1994, começava a minha luta (minha luta)
Mãe falou uma vez, ecoou a vida toda (vida toda)
Do panfleto ao silk, da calçada ao coração
Dona Iracy, minha rainha, te carrego no meu braço e na visão
[Verse 2]
Da rua pra firma, outro mundo, outra cor
Silkscreen na Arte Cores, tinta, cheiro de suor
Robson e Simone, cês tão tatuado na memória
Vocês fazem parte desse filme, desse frame da minha história
Tela, tinta, camiseta pingando no varal
Eu via o trampo virar peça, vir dinheiro, virar moral
Entendi que respeito vem de quem faz sem alarde
Chegava cedo, saia tarde, construindo minha base
Minha mãe, minha rainha, te levo comigo em qualquer chão
No peito batendo forte, no desenho aqui no bração
Te amo, mãe, cada corre, cada bronca foi lição
Se hoje eu conto essa caminhada é porque você foi direção
[Chorus]
[Chorus]