Composição
INTRO
Eu quase esperei passar. Quase deixei pra amanhã.
VERSO 1
A dúvida fala baixo, mas conhece o meu cansaço, me vende uma saída e chama medo de cuidado. O que sinto muda de nome a cada hora; se eu sigo esse ruído, fico exatamente onde estou. Não vou esperar que a coragem chegue pronta, nem que alguém venha abrir a porta. Tenho duas mãos, tenho o chão de agora, um passo possível vale mais que a promessa adiada. Vou tirar do caminho o que eu mesmo posso mover, vou começar pelo que depende de mim fazer.
PRÉ-REFRÃO
O peito diz: recua. A visão que Deus me mostrou não se apaga por sentir temor. Eu escolho confiar — mesmo sem alívio, mesmo sem saber quanto vai custar.
REFRÃO
Não paro agora — desistir não é opção. Com o que está nas minhas mãos, eu mudo esta direção. Não espero a vontade, não espero alguém chegar: se há um passo que eu posso dar, eu vou dar. Não paro agora — ainda que doa escolher. Eu faço aqui, eu faço hoje, eu começo a mover.
VERSO 2
A voz que me acusa promete paz se eu me calar, mas paz que exige que eu abandone não me serve pra ficar. Abro espaço, digo o que precisa ser dito, ponho o primeiro tijolo onde antes havia adiamento. Não é certeza no corpo, não é ausência de pressão; é obedecer ao que vi sem negociar com a hesitação. Eu sinto o peso! E sigo mesmo assim! O medo não decide o que começa por mim! Sem plateia, sem garantia, sem sinal novo no céu, faço o trecho que me cabe, sustento o que é meu. Se o ambiente não muda com desejo ou intenção, eu mudo o que alcanço — ação por ação.
REFRÃO FINAL
Não paro agora — desistir não é opção. Com o que está nas minhas mãos, eu mudo esta direção. Não espero a vontade, não espero alguém chegar: se há um passo que eu posso dar, eu vou dar. Não paro agora — mesmo caro, eu vou escolher. Eu faço aqui, eu faço hoje; eu não vou me esconder.
FINAL
Um passo que eu posso dar. Eu vou dar.