Composição
INTRODUÇÃO
Fumaça subindo no quintal, cheiro de lenha acorda o dia
VERSO 1
Churrasco chia, o fogo reflete nos olhos de alguém que ri sem pressa Notas amassadas entre latas vazias, promessa de conta paga amanhã Mulher gira a taça, marca o pulso do forró com o salto, rodando perto da mesa O calor espalha histórias, cada rosto iluminado pelo carvão
PRÉ-REFRÃO
Fumaça desenha mapas, atravessa a luz, dança junto com a conversa No fundo, alguém assovia, o vento leva um brinde pra rua
REFRÃO
E o grave bate: tuuhhh, tuuhhh... A caixa de som empurra o peito, quase sem pedir licença Pisadinha rasgando o chão, ninguém lembra do relógio Tuuhhh, tuuhhh... repete, chama o corpo pro compasso Nesse quintal, o tempo se dobra, riso se mistura ao som Prefeito, aquele abraço! Vem sentir o tempero dessa carne!
VERSO 2
Tábua marcada de gordura, risada que gruda na parede descascada A mulher de vestido vermelho tira a sandália, pisa gelado, desafia o asfalto Dinheiro some no truco, reaparece na próxima rodada Aqui, felicidade é fumaça que fica na roupa, lembrança que não sai
REFRÃO
E o grave bate: tuuhhh, tuuhhh... A caixa faz vibrar até a sombra do portão Pisadinha na varanda, alguém ergue a voz pra acompanhar Tuuhhh, tuuhhh... cada um repete do seu jeito No balanço do grave, até o cachorro tenta dançar
PONTE
Ritmo muda, conversa atravessa o quintal, brasa estala no silêncio A mulher de vermelho gira sozinha, a fumaça cobre seus passos Alguém esquece a carne, outro brinda com o céu, a noite inventa um novo começo Mais uma do grave pra animar! Tuuhhh, tuuhhh... (imitando grave, rindo)
REFRÃO FINAL
E o grave bate: tuuhhh, tuuhhh... No quintal, a fumaça se enrola no cabelo de quem ficou até o fim Churrasco virou história, dinheiro virou conversa, a noite não pede mais nada Tuuhhh, tuuhhh... nessa pisadinha, a vida dança devagar O último grave ecoa, e o quintal acorda de novo